Estudo do INEGI identifica medidas para mitigar os riscos associados ao ambiente interior das piscinas públicas

09-01-2020
Uma equipa do INEGI traçou o panorama atual da qualidade do ambiente interior em piscinas cobertas do Norte de Portugal. As normas estão a ser cumpridas, mas há concentrações de poluentes que, em caso de exposição continuada, podem vir a representar riscos para a saúde.

Natação, polo aquático ou hidroginástica são desportos com cada vez mais praticantes, desde o bebé que começa a ambientar-se à água ao idoso que quer manter-se ativo. São, por isso, justificadas as crescentes preocupações com as condições de salubridade da água e do ar ambiente, para além da segurança, nas piscinas cobertas.

Foi neste contexto que o INEGI propôs, um projeto de auditoria da qualidade do ar em 21 piscinas cobertas da região Norte de Portugal com o objetivo de “recolher dados que habilitem a caracterização da situação existente e o desenvolvimento de um conjunto de recomendações, nomeadamente para garantir a aplicação de boas práticas nas piscinas cobertas de uso público”, explica a investigadora do INEGI Marta Gabriel, que integrou a equipa que desenvolveu o estudo.

Uma das principais medidas impostas pela legislação para assegurar a saúde pública é a desinfeção da água para prevenir infeções causadas por microrganismos. No entanto, os desinfetantes, geralmente à base de cloro, são propensos a reagir com material orgânico e inorgânico existente na água, tipicamente introduzido pelas secreções fisiológicas (urina, saliva e transpiração) dos utentes da piscina, levando à formação de subprodutos de desinfeção. Ao serem ingeridos acidentalmente com a água, inalados ou absorvidos através do contacto direto da pele, estes subprodutos podem ter efeitos prejudiciais para a saúde.

O projeto HEBE - Health, Comfort and Energy in the Built Environment (em português Saúde, Conforto e Energia no Ambiente Construído), que contou com a colaboração de 17 municípios e 2 entidades desportivas, avaliou o panorama atual de exposição aos subprodutos de desinfeção no ar ambiente, nas vertentes da Qualidade do Ambiente Interior e Saúde.

EXPOSIÇÃO A LONGO PRAZO E RISCOS PARA A SAÚDE

O estudo de caso realizado numa piscina olímpica avaliou a exposição a que uma equipa de natação de competição – jovens nadadores e seus treinadores – está sujeita a longo prazo. Concluiu que, ainda que a piscina cumpra com os requisitos impostos na atual regulamentação, os subprodutos de desinfeção podem atingir no ar concentrações suscetíveis de representarem sérios riscos para a saúde dos atletas. “O risco médio estimado de cancro, apesar de baixo, apresentou valores superiores ao limite máximo definido como negligenciável sugerindo que se aposte em estratégias de mitigação do risco associado aos subprodutos de desinfeção nestes ambientes”, explica a investigadora do INEGI.

O estudo global revelou que, em termos gerais, as 21 piscinas auditadas apresentaram boas condições face aos “valores-guia” da Organização Mundial de Saúde e da legislação nacional, embora revele que há casos em que as piores condições de ventilação, induzem maiores concentrações de subprodutos de desinfeção, que devem ser evitadas.

O trabalho levado a cabo permitiu ainda verificar que, em períodos de elevada afluência à piscina, existe uma maior transferência dos subprodutos de desinfeção da água para o ar, o que indica que a exposição poderá ser potencialmente aumentada nesses períodos, adianta Marta Gabriel. “Estes resultados sugerem que se deve prever a possibilidade de reforçar o caudal de ar novo, no(s) período(s) do dia em que é espectável uma elevada afluência de utentes à piscina”, acrescenta.

“Os resultados apurados apoiam a necessidade do desenvolvimento de estratégias e políticas de saúde pública para mitigar os riscos associados ao ambiente interior das piscinas públicas. Nomeadamente, através de medidas que minimizem a exposição aos subprodutos de desinfeção e controlem os níveis destes compostos no ar interior”, conclui a investigadora.

O projeto HEBE envolveu, ao longo dos últimos três anos, a cooperação estreita com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), tendo sido cientificamente coordenado por Eduardo de Oliveira Fernandes, ex-investigador do INEGI e Professor Emérito da Universidade do Porto. O projeto foi financiado ao abrigo dos programas Norte 2020, Portugal 2020 e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

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