Transferência de tecnologias resulta em protótipo de banco de automóvel com propriedades da aeronáutica

16-04-2019
aerocar
Serão os novos materiais e tecnologias de produção passíveis de transferência entre os setores aeronáutico e automóvel? Os protótipos desenvolvidos no âmbito do projeto europeu AEROCAR demonstram que sim.

Um destes protótipos foi desenvolvido pelo INEGI, com a colaboração da INAPAL Plásticos. Trata-se da estrutura de um banco de automóvel, que foi reforçada com materiais compósitos de alto desempenho, nomeadamente com um material pré-impregnado de fibra de carbono, normalmente usado em estruturas aeronáuticas. “A incorporação deste material resultou numa melhoria das propriedades mecânicas do produto, na redução do seu peso total em 25% e na melhoria da estética das partes estruturais visíveis”, explica Luís Pina, responsável pelo projeto no INEGI.

Importa sublinhar que, se hoje estamos a falar de um banco como exemplo, “a tecnologia pode ser rapidamente transferida para outras partes fundamentais da estrutura do carro, como os chassis ou uma grande parte da carroçaria, e a indústria automóvel pode assim vir a ter ganhos de performance e de conforto, com a utilização em massa de materiais compósitos já usados na aviação. Isto pode dar um impulso brutal, em particular ao segmento dos carros elétricos, que continua a debater-se com o desafio da autonomia, pois quanto mais leves os carros forem, maior será o alcance das baterias”, enfatiza Luís Pina.

O gestor do projeto AEROCAR em Portugal reforça que o modelo de assento desenvolvido ainda é um protótipo, mas que, “dentro de um ou dois anos, poderá passar à produção em larga escala”. Nota ainda que “para concretizar esta inovação foi fundamental a colaboração entre a INAPAL Plásticos, especializada na produção de componentes plásticos para a indústria automóvel, com grande experiência no processo utilizado (SMC - Sheet Molding Compound), e o INEGI, que tem grande experiência no desenvolvimento de novas tecnologias e processos de fabrico para os materiais compósitos”.

Promovido em colaboração com dois centros tecnológicos de investigação espanhóis, o CTAG e a Leartiker, e o centro francês de investigação e desenvolvimento Rescoll, o AEROCAR contribuiu, ao longo dos últimos três anos, para a criação de uma rede internacional de transferência tecnológica entre os setores aeronáutico e automóvel, com vista a maximizar o impacto dos desenvolvimentos tecnológicos nestes dois setores.

De acordo com Luís Pina, o projeto demonstrou que “existem tecnologias já completamente desenvolvidas e utilizadas em produtos que estão no mercado que, com um diminuto investimento de adaptação, podem ser transferidas em muito pouco tempo para outro setor, alavancando todo o investimento passado para a obtenção de proveitos em novos setores e mercados”.


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