O RUMO ATÉ À FÁBRICA DO FUTURO NA ERA DA INDÚSTRIA 4.0

01-02-2019
Na era da indústria 4.0 muitas empresas e instituições caminham rumo à Fábrica do Futuro, passando por processos de transformação a uma velocidade e com uma profundidade nunca antes vista.

Foi precisamente esta temática que juntou, na última edição da IN Conference INEGI, o CEO da EFACEC, Ângelo Ramalho, a CEO da Neadvance, Teresa Martins, o Diretor de Sistemas de Informação & Fabrico Digital da Renault CACIA, Miguel Teixeira, e o Coordenador da Industry 4.0 na Bosch Car Multimedia, Francisco Duarte. Num painel dedicado ao tema ‘Transformações em Curso’, destacou-se um princípio com que todos concordaram: "não há indústria 4.0 sem pessoas".

Durante o debate, cada orador caracterizou o percurso que a sua instituição tem vindo a percorrer no sentido da indústria 4.0, sendo a capacidade de adaptação, o planeamento estratégico e esforços transversais à organização, alguns dos pontos considerados essenciais.

Sobre este processo, Ângelo Ramalho afirmou que “não podemos pensar na indústria 4.0 como mais uma camada digital sobre aquilo que fazemos. Primeiro temos de repensar aquilo que fazemos, e desde logo a forma como nos organizamos. Explorar sinergias transversais quando a tendência é para que tudo funcione em silos” é um dos maiores desafios, explicou o CEO da EFACEC.

Por sua vez Miguel Teixeira apresentou o roadmap para 2020 da Renault CACIA, reforçando a importância de ter uma estratégia e de esforços agregados. O diretor de Sistemas de Informação & Fabrico Digital da empresa foi desafiado a criar uma fábrica modelo onde fosse possível testar vários aceleradores tecnológicos e determinar o valor acrescentado. Pretende reunir conclusões avaliando o impacto nos lead times e rendimento operacional.

Por outro lado, enquanto conectar dispositivos físicos ao mundo digital e a um sistema é o primeiro patamar, o próximo desafio será interligar vários sistemas. Do ponto de vista da Bosch, explica Francisco Duarte, na era da indústria 4.0 a palavra chave é “connected”, numa perspectiva transversal a todas as etapas de ação internas ou externas à empresa.

Atento às tendências do setor, o especialista apontou as decisões com base em informação em tempo real, a excessiva quantidade e complexidade de dados, a falta de standards para interoperabilidade e a plena substituição das pessoas por sistemas de inteligência artificial como problemas determinantes. Sobre este último fator, no entanto, afirmou que dada “a evolução da população portuguesa nas próximas décadas, ainda bem que vão existir muitos robôs!” para colmatar a escassez de recursos humanos.

Já a CEO da Neadvance complementou o debate com a perspetiva de uma empresa para quem “o futuro começou em 2001, ano no qual iniciou atividade”, e que se afirma “na linha da frente do desenvolvimento de soluções de machine learning e sistemas de visão e inteligência artificial”. Teresa Martins apresentou algumas soluções que já estão no terreno, que permitem, por exemplo, o controlo de qualidade de 100% da produção em tempo real, a identificação automática de peças e o guiamento de robôs.

As pessoas no centro da estratégia

Ao longo do debate os especialistas sublinharam que a revolução das práticas industriais está assente em importantes inovações tecnológicas que permitem a virtualização, descentralização e acesso e interpretação de informação em tempo real, mas os recursos humanos são considerados fator crítico de sucesso.

“Toda a inovação que implementamos é para as pessoas”, explicou Miguel Teixeira. “Saber guiá-las, treiná-las, ajudá-las, melhorar a sua produção, dar-lhes acesso aos indicadores, de forma cada vez mais preditiva” são objetivos para Renault CACIA.

Ângelo Ramalho partilha esta perspetiva, e reeiterou: “sem as pessoas não conseguimos atingir os nossos objetivos, [que são] otimizar, quer do ponto de vista da qualidade, da flexibilidade, da eficiência, ou do lucro”.

Francisco Duarte destacou porém que a substituição de postos de trabalho pela inteligência artificial é uma tendência cada vez mais evidente. Fator que torna ainda mais importante a permanente requalificação de trabalhadores e a adoção de diferentes funções ao longo da vida laboral, argumentou.

Ainda neste tópico, e questionados pelo público sobre como captar e reter talento humano, os especialistas destacaram fatores que vão além do elemento monetário. “Temos a sorte de oferecer desafios estimulantes em termos tecnológicos e científicos”, explicou Teresa Martins. Ainda assim, neste “ecossistema de pessoas”, rematou Ângelo Ramalho, “a mudança é rotina”.

A proximidade a centros de interface tecnológico e universidades foi também um dos temas centrais do painel, onde as intervenções ilustraram a importância desta relação para o processo de inovação e elo de ligação a novos talentos.



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